Diferentes modelos de neuromarketing e como fantasiam os produtos

Em um artigo anterior falamos e criticábamos o uso do neuromarketing que fazem as marcas comerciais e as grandes empresas com o fim de obter colarnos seus produtos de uma forma ou de outra.

Hoje vamos analisar diferentes produtos, como nos apresentam suas marcas, quais os dados que ignoram ou tentam potencializar e como fantasiam os pontos negativos para poder vendê-lo da forma mais “natural” possível e sem que nos questionemos se é um bom produto, ou se realmente preciso comprar isso.

A indústria e a publicidade, uma sociedade implacável

Vivemos em um modelo de sociedade em que o fim principal praticamente de toda a ação que se realiza é o lucro econômico, e um exemplo claro é o das indústrias e da publicidade: as indústrias precisam de publicidade para oferecer e vender os seus produtos e as redes de televisão e os meios de comunicação precisam da propaganda desses produtos como fonte de renda.

Infelizmente, e apesar de se nos quer fazer crer o contrário, não existe uma legislação suficientemente clara e concisa em relação à publicidade que é emitido e a forma em que se publicam os produtos para os consumidores.

O Código PAOS, como medida de regulação da publicidade dirigida às crianças

O Código PAOS foi criado com a finalidade de controlar a publicidade que se dirigia para os mais pequenos, mas conta em seu deve com alguns aspectos negativos que o fazem ser bastante ineficaz:

  • Inscrever-se nele é de caráter voluntário.
  • É um código mais moral do que legal, e incumplirlo não tem repercussão alguma.
  • Muitas das empresas que aderiram a ele são empresas de produtos ultraprocesados que se provou são prejudiciais para a saúde das pessoas e no entanto continuam divulgado e vendendo.

Neuromarketing

Diferentes estratégias de neuromarketing

Uso de mensagens saudáveis

Se vamos para o site do Plano HAVISA vamos encontrar um acordo de colaboração entre a Agência Espanhola de Consumo, Segurança Alimentar e Nutrição (AECOSAN) e a Fundação Alimentum o qual visa a cooperação para criar um plano que promova a alguns hábitos de vida saudáveis e a prática de atividade física de forma regular. Como soa bem, não?

Agora vamos ir para a seção “Empresas aderentes” e vamos ver quais são algumas delas: coca-cola, a kellogg’s, Nestle, Panrico-Donuts… Tudo empresas caracterizadas por seus produtos saudáveis e livres de gorduras e açúcares.

Mudar o nome de um ingrediente

Uma estratégia sutil de neuromarketing consiste em mudar o nome do ingrediente objetivo (bem porque estudos o catalogadas como nocivo bem porque o tenham proibido) e utilizar a nomenclatura mais técnica que os utilizadores normais não costumam saber. Um claro exemplo disso é o açúcar.

Ao alterar o nome comum de um ingrediente por um nome mais técnico, você pode criar uma certa confusão nos consumidores e estes, ao ver que o “ingrediente maldito” desapareceu, continuam comprando o mesmo produto. No caso de um ingrediente é o açúcar (que atualmente está no olho do furacão), alguns dos nomes que podemos encontrar na rotulagem e que podem nos manter são: cevada de malte, dextrano, betabel, maltodextrina ou trealose.

Usar o adjetivo “natural”

Algo que passa completamente despercebido à vista do consumidor, e de à pé, é quando um produto é colocado o rótulo de “natural”, já que parece significar que o produto em questão é realizado sem ingredientes prejudiciais, sem aditivos, e é 100% natural. No caso da imagem, podemos ver que se trata de um produto de pastelaria totalmente ultraprocesado (açúcares e gorduras por toda parte).

As etiquetas “novo” e “eficácia comprovada”

Que um produto tenha o rótulo de “novo”, é pouco mais do que sinônimo de que a gente vai comprar mesmo que seja apenas por curiosidade e para experimentá-lo. Mas se, além disso, colocamos a etiqueta de “eficácia comprovada” (mas não colocar nenhum dado mais do que demonstre essa eficiência), parece ser um aval mais do que suficiente para sua venda. Isso sim, como podemos ver na imagem, podemos colocar um asterisco e fica perfeito.

Novo E De Eficácia Comprovada

Uso de selos e de sociedades médicas

Este é um dos aspectos que mais deve preocupar a sociedade, já que se supõe que as sociedades médicas zelam pela nossa saúde e não vão permitir que haja produtos no mercado que atentem contra nossa saúde. Ou será que sim?

Uso Selos Sociedades Médicas

Aparentemente, o que um produto tenha o selo e a recomendação de uma sociedade médica é sinônimo de que não é prejudicial para o seu uso ou consumo. Se você olhar para a imagem, o produto em questão é um produto ultraprocesado que contém 1’3 gramas de sal por porção (cada envelope são 20 gramas, por que estamos falando de que quase 10% do conteúdo é sal), e isso representa, apenas com este produto, cerca de 22% da ingestão diária recomendada.

Mas ouve, que o comprova a mesma fundação que se recomenda depois, quando já tiver sofrido algum ataque, você tem excesso de peso ou se já sofreu um acidente vascular cerebral que reduzcas o consumo de sal. Como a solução passa por não promover estes produtos.

Propor o nosso produto como necessário para uma nutrição ideal”

Se falamos de uma nutrição ideal, regra geral, entendemos um correto e equilibrado de nutrientes para o nosso organismo, e sem dúvida que pensar assim, acabaríamos comprando o produto em questão. Mas, o que aconteceria se o referido produto destina-se a bebés? Quem não daria a seu bebê um alimento que lhe garante uma “nutrição ideal”?

Optima Nutrição

Pois é o que acontece neste caso, com um produto que nos vendem como ideal para a nutrição de nossos pequenos, mas que contém um alarmante 19% de ColaCao (o qual, por sua vez, é 70% de açúcar). Mas tudo bem, debaixo do cartaz de “nutrição ideal” colocamos outro que indique que tem um alto teor de cálcio e é fonte de 13 vitaminas, e aqui não se passa nada. Para vender!

Associar o nosso produto com a prática esportiva

Que as crianças e adolescentes realizem esporte e atividades físicas, é claro que é algo bom e, de certo modo, indispensável para um bom desenvolvimento e uma adequada prevenção de certas doenças ou distúrbios. Pois vamos notar que o nosso produto é ideal para a prática esportiva, e a certeza de que com isso ninguém se fixa no que seja uma fonte de açúcares (28%) e gorduras (22%).

Biscoitos Chiquilin Para O Esporte

Introduzir o nosso produto em uma “dieta equilibrada”

O conceito de dieta balanceada, sem dúvida, é um dos mais repetidos quando falamos de saúde e alimentação, já que uma dieta equilibrada fornece-nos um correto aporte de todos os nutrientes necessários para o nosso dia-a-dia. E se introduzirmos o conceito de “dieta equilibrada” para falar e vender o nosso produto com 38% de açúcares e assim desviar a atenção sobre o conteúdo dos mesmos? E se, além disso, minimizamos a importância e falseamos um pouco os dados, pois a nossa estratégia de neuromarketing é quase perfeita.

E agora imagine essa “dieta equilibrada”, em que um menino de seis ou oito anos, toma uma tigela de ColaCao (com 70% de açúcar) e mais uma porção de cereais (com 38% de açúcar). Quais vos parece que isso faça parte de uma dieta equilibrada?

Chavão Dieta Equilibrada

Exaltar as virtudes do produto, de acordo com os “cientistas”

A Cada certo tempo surge um artigo nas redes sociais ou os meios de comunicação exaltando as vantagens e benefícios de um produto sobre o qual existem milhares de artigos e estudos dizendo justamente o contrário (com provas científicas e dados comparáveis), mas tal como aparece no enunciado a palavra “cientistas”, isso ajuda a criar uma certa confusão nos leitores.

Exaltar Virtudes https://www.elconfidencial.com/alma-corazon-vida/2017-03-23/adelgazar-bebiendo-vino-los-nutricionistas-revelan-como-hacerlo_1351860/

Imagens | iStock – Vitónica

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